EM TELA: “The White Lotus” e a Procura do Propósito

Em Tela, The White Lotus, temporada 3

Mike White trouxe-nos, em 2021, a luxuosa realidade distópica dos resorts requintados da companhia de hotéis White Lotus.

Recentemente estreou a terceira temporada que, à imagem das anteriores, acompanha diferentes núcleos sociais e familiares, envoltos em luxos, futilidades, exageros, dramas e, inevitavelmente, homicídios. Do Havai ao sul de Itália até, por fim nesta última temporada, à Tailândia. A série já não é novidade para os leitores assíduos do “Em Tela“, centrando-se esta rubrica na mais recente temporada, de 2025.

Mantendo a dualidade emocional provocada no espectador de ódio e amor às personagens, esta temporada tem como mote a procura por um significado e a necessidade (ou exigência) social e cultural de termos um e, consequentemente, o vazio emocional que esta busca provoca. Também a espiritualidade, o misticismo e a inquietação sobre o desconhecido ganham palco nesta narrativa onde, ao longo da mesma, vamos sentindo sempre uma constante presença de algo. Algo que não entendemos, que não sabemos se é bom ou mau, algo para o qual não temos respostas, nem a série se preocupa em as dar – porque aliás, ninguém as tem.

Um dos pontos altos desta última temporada verte-se na complexidade dos núcleos que White desenvolveu, todos estes com potencial de um possível spin-off. Esta é, contudo, uma das temporadas que mais polarizou a opinião dos espectadores. A mesma peca pela lentidão com que se desenvolve a trama, podendo ter lucrado mais com uma temporada mais focada e condensada.

Sem prejuízo pelo supramencionado, a temporada carrega uma imensidão de significados e simbolismos, uma carga emocional e metafórica que assola o espectador com ânsias existenciais e desilusões sociais. A profundidade narrativa desta temporada afunda na falta de esperança na humanidade que é aqui mais gritante e palpável do que em qualquer outra temporada. Este é uma sensação que vemos crescer ao longo das temporadas – um sentimento que, com infelicidade, se reflete de forma generalizada um bocado por todo o mundo.

Esta mensagem fica presente essencialmente no último episódio da temporada, e tal é visível do início ao fim. Ao longo da narrativa, várias personagens enfrentam uma batalha pessoal, alicerçada em escolhas certas e erradas, entre o ‘bem’ e o ‘mal’ – seja lá o que isso é. E a infeliz conclusão a que todos chegamos é que escolher o errado compensa.

“White Lotus” é um murro no estômago na sociedade contemporânea. Um murro repleto de sarcasmo e sátira social, como já estamos habituados.

A série está disponível na HBO.

Estrelas: 10/10

Imagem: DR/Jornal Referência

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

error: Este conteúdo está protegido!!!