EM TELA: “The Life List” – Amor e expectativas

Em Tela, The Life List

“The Life List” é, até ao momento, um dos filmes mais vistos do ano na Netflix. Já o vi há várias semanas e, sendo um conteúdo com uma mensagem forte, não escolhi mais cedo escrever sobre ele porque senti, de alguma forma, que tinha de amadurecer as minhas ideias e refletir de forma mais profunda sobre a história contada.

Este conteúdo cinematográfico conta-nos uma história que se desenrola à volta de três irmãos que perderam a sua mãe. Sendo uma família com posses e várias regalias, cada um herdou uma parte da riqueza da sua mãe, à exceção de Alex, a filha mais nova. Desde o início que percebemos que esta personagem se encontra numa das fases mais insólitas da sua vida, pois desistiu da sua carreira, teve várias relações falhadas e sentia-se, de forma geral, completamente perdida. Contudo, de uma maneira única e original, a sua mãe decidiu recordar Alex de uma lista de desejos que escrevera quando era jovem.

A mãe, em vida (naturalmente), preparou diversas gravações suas a falar com a filha e, à medida que Alex realizasse cada sonho, ia ouvindo as outras gravações, sendo que tinha um ano para realizar todos os seus sonhos antigos escritos naquela folha de papel. Com curiosidade sobre o destino de tal desafio, Alex decidiu começar em busca dos seus sonhos, entre eles, por exemplo, encontrar o amor e voltar a ser professora. Ao longo de “The Life List” vemos, então, a jovem lutar por realizar as tarefas que outrora escreveu num caderno que achava estar mais que perdido.

É óbvio que não vou revelar como termina este filme, mas vou revelar a mensagem que captei dele (porque quem me lê já sabe que, para mim, é o mais importante) e é igualmente importante deixar já claro que esta mensagem, para mim, é uma verdadeira dicotomia. Por um lado, o bonito: Alex completa a lista que tanto desejava em criança. Afinal, com esforço e dedicação os sonhos podem mesmo concretizar-se. Vamos sempre a tempo de realizar algo que queremos e, essencialmente, de voltarmos a nós mesmos, mesmo em períodos em que nos sentimos perdidos.

Por outro lado, o menos bonito, porque vemos alguém completar uma lista de desejos, que podia já nem fazer sentido para si (até porque escreveu a lista na adolescência) porque a sua mãe, numa bonita tarde, encontrou o documento e achou que aqueles sonhos seriam perfeitos para a sua filha. Sabemos, efetivamente, que os nossos pais querem, de forma geral, o melhor para nós, mas, afinal, esta história bonita não será apenas sobre um jogo de expectativas que temos sobre o outro?

Era positivo que percebêssemos, todos, que o melhor que podemos desejar a uma pessoa é aquilo que ela quer para si mesma e não o que idealizamos sobre ela, muitas vezes sobre expectativas que nos foram impostas. Agora, cada um escolhe interpretar, conforme as suas experiências pessoais, o lado da mensagem que mais lhe agradar e fizer sentido. A mim faz-me sentido, cada vez mais, ser realista e, por isso, a bem ou mal, às vezes, também faz parte ficarmos do lado “menos bonito” da história.

Estrelas: 07/10

Imagem: DR/ Jornal Referência

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