Guitarrista barcelense alcançou top 3 do “Got Talent Portugal”

Tem 26 anos e respira música por todos os poros. Sonha, um dia, vir a viver profissionalmente da mesma e é para isso que luta todos os dias. O Jornal Referência esteve à conversa com o guitarrista barcelense João Dias, que contou como foi a sua participação no “Got Talent Portugal” e como conseguiu alcançar o top 3 no concurso de talentos da RTP.

O percurso começou no piano, no conservatório de música de Barcelos. Considerava-se um “bom músico”, mas, aos 16 anos, o destino colocou-lhe no seu caminho a sua grande amiga, a guitarra. Desde há dez anos que nunca mais parou. “Estudo música desde sempre, não me lembro de não o fazer”, começa por explicar o músico.

“O meu percurso escolar foi todo em volta da música. Consegui fazer toda a formação de guitarra, que equivale ao oitavo grau do conservatório de música, o 12.º ano comum. Acabei esse oitavo grau no Orfeão de Leiria e, no ano, seguinte, resolvi fazer a minha licenciatura em Espanha. Escolhi o Conservatório de Música de Vigo”, conta João, explicando, depois, que, para ele, é muito complicado viver única e exclusivamente da música.

“Estive lá quatro anos. Entretanto, regressei a Portugal e cá as regras são diferentes. Eu não conheço ninguém de música clássica, da guitarra clássica em concreto, que viva única e exclusivamente da música. O caminho é dar aulas e, para isso, em Portugal, é obrigatório possuir mestrado em Ensino da Música. Foi o que fiz. Neste momento, estou a terminar todas as cadeiras, já só me falta a tese”, explica João, para quem a participação no “Got Talent” foi a oportunidade para ver “se é possível viver disto que se chama tocar guitarra”.

Foto: DR

“Gostava de viver só de concertos e não ter de dar as clássicas aulas. Para isso, preciso daquilo que todos os artistas descoram e dizem que não interessa ter e que se chama fama e visibilidade. O ‘Got Talent’ é o único programa que existe para talentos que não sejam canto. Não existe hipótese de escolha, a não ser o participo ou não participo e, para mim, o concurso tem um selo de qualidade”, opina o músico, acrescentando que “um programa de televisão tem sempre aspetos positivos e negativos”. “Se tiveres qualidade, acho que tiras mais coisas boas que más, sem dúvida”, afirma o guitarrista.

João chegou à final e obteve o terceiro lugar. Resumidamente, conta que o conseguiu porque já tinha “idealizado” na sua cabeça tudo o que iria inovar de atuação para atuação. “Quanto mais vais avançando, mais autoconfiante ficas. Nunca vi ninguém que fosse ao ‘Got Talent’ tocar só guitarra, ainda para mais da forma como eu o faço. Então ia sempre com receio”, confessa.

Foto: DR

“Penso que a gala em que fui mais nervoso foi logo a primeira em Lisboa, no CCB [Centro Cultural de Belém], mas até acabou por correr bem. Ganhei uma afinidade com a Cuca Roseta e isso foi ótimo. Depois, fui às semifinais e foi com alguma surpresa que fui um dos mais votados. Ainda agora se diz que foi das semifinais mais difíceis de todo o programa. Uma vez na final, eu acreditava piamente que podia ser um dos vencedores senão não estava lá”, recorda.

Questionado acerca do futuro e das consequências que a pandemia devido ao Covid-19 terá na cultura e mais concretamente na música, João é assertivo: “As consequências falam por elas próprias. Se os grandes não têm concertos imagine-se alguém como eu. Tenho de aproveitar este bocadinho de silêncio para criar coisas novas que, mal as coisas voltem ao normal, possam ser lançadas e apresentadas. Tenho noção que esta ‘pseudofama’ do ‘Got Talent’ daqui a dois ou três meses já se desfez. O importante foi mostrar o meu trabalho e as pessoas saberem que existo”, conclui o músico.

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