OPINIÃO: Feira do livro é muita gente

Herman José Ribeiro

Então, como estão os três que me leem? Não respondam que isso parece mal.

Ontem fui ao primeiro dia da feira do livro do Porto e gostei muito da restauração. Em contrapartida, achei que havia livros a mais. Por esse motivo comprei uns quantos para esvaziar um bocadinho. Comprei a Anna Karénina, por  exemplo. Precisava de um livro destes para as aulas de step. Ofereci a Crítica da Razão Pura à minha mãe que é muita metafísica. Presenteei o meu pai com o Arquipélago Gulag dada a sua paixão por Sartre. Por fim, acabei por oferecer à minha mulher a Madame Bovary porque a pedagogia é assunto importante.

Achei também – como acho sempre – que havia pessoas a mais na feira do livro. Quero dizer, há sempre pessoas a mais em todo o lado, aliás, eu acho que para onde vou há sempre um número exagerado de pessoas, mas na feira do livro há em barda. Já não via tanta gente a ler contracapas desde o tempo do Marcelo na TVI. Se eu soubesse de antemão que era assim na feira do livro tinha optado por ir à feira da ladra. É impressionante como os portugueses ficam doidos com feiras. Deviam fazer a feira das feiras ao mesmo tempo da feira do livro para ao menos podermos tocar nos livros sem rasteiras a pés juntos. Aposto que a feira do livro ficava a menos de metade.

Quando vou à feira do livro fico sempre com pena dos livros que não vêm comigo em vez de ficar feliz com os livros que trago. Parece que estou a abandonar um cão ao mesmo tempo que estou a adotar um cão. Para não falar de todas as vezes que olho para um conjunto de livros e sinto que não vou ter tempo de vida suficiente para os ler. Acho que a melhor altura para falecer seria quando percebêssemos que só nos restavam os livros do Raul Minh’Alma para darmos por concluído todos os livros do mundo. Esse é o momento certo. Entre o último grande livro e o “Foi Sem Querer Que Te Quis”.

Em jeito de conclusão, porque não tenho mais jeito para nada, quero mesmo assim convidar os leitores a passarem pela feira do livro do Porto, – estará disponível até dia 13 de Setembro – e a comprar todos os livros da Margarida Rebelo Pinto que puderem porque dizem que o Inverno vai ser muito frio e a lenha poderá acabar.

Vá, um abraço deste que tanto vos quer e faz.


Nótula em jeito de recomendação:

Vão à Feira do Livro, seja à Porto ou à de Lisboa.

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