Projeto Gerações ajuda idosos institucionalizados no concelho de Guimarães

Foto: Projeto Gerações

Em Guimarães foi criado o Projeto Gerações que quer ajudar a combater o isolamento social dos mais idosos, que são utentes de IPSS do concelho. Desta forma, são vários os jovens que vão dinamizar diversas atividades até junho para proporcionar momentos culturais.

O Projeto Gerações, financiado no âmbito do programa Norte 2020 “Cultura para Todos”, e promovido pelo Núcleo de Estudantes da Licenciatura em Teatro da Universidade do Minho, idealizou-se a partir da “realidade de várias comunidades do concelho de Guimarães”, mais concretamente, a de vários idosos institucionalizados, que necessitavam de uma intervenção artístico-educativa para o seu desenvolvimento pessoal.

Luís Peixoto-Vilar, diretor artístico do projeto, referiu que os jovens da região de Guimarães sentiram “a necessidade de compreender os interesses dos utentes assim como da comunidade onde estes estavam inseridos”, de modo a melhorar a qualidade de vida de cada um através de “iniciativas integradas e sustentadas por dimensões essenciais para o desenvolvimento individual” como as dimensões humanas, culturais, políticas, económicas e científicas.

Foto: Projeto Gerações

Além disso, o conceito de desenvolvimento defendido pelo projeto em si pretende se focar em “competências e capacidades como o pensamento crítico, a autonomia, a emancipação e expressão física e intelectual dos utentes”, em parceria com duas IPSS da região – Centro Social Irmandade de São Torcato e Santa Casa da Misericórdia de Guimarães.

Em declarações ao Jornal Referência, Luís Peixoto-Vilar mencionou que “colocar a arte ao serviço das comunidades” foi a proposta encontrada pela equipa do projeto para alcançarem o seu objetivo principal: “o desenvolvimento integral do utente atendendo à melhoria da sua qualidade de vida”.

O projeto tem a duração de seis meses e de maneira a conseguir alcançar as mudanças que pretendem, a equipa decidiu executar duas atividades:

“Zoom In: Conversas Performativas” – uma atividade que teve início no dia 2 de março e que se prolongou até ao final do mês de abril, realizada à distância devido à atual situação pandémica, com o objetivo de garantir a segurança total entre os idosos, doentes de risco, e os membros da comunidade artística e cultural da cidade de Guimarães, que consiste numa espécie de “espaço de partilha online” para tentar diminuir o risco de exclusão social que os utentes têm sofrido, utilizando as tecnologias “para os reaproximar à sociedade”. De forma a proporcionar um momento cultural e artístico para cada idoso, foram convidados a participar nestas conversas artistas como Zé Amaro, Tiago Simães, Liliana Oliveira, Luís Canário Rocha assim como a participação de dois grupos culturais da cidade do Minho: Tuna Feminina de Engenharia (Tun’O Bebes) e Ordem Profética da Universidade do Minho (OPUM DEI).

O diretor artístico contou que a equipa também decidiu realizar esta atividade no sentido de “dinamizar o período de isolamento social dos utentes e de proporcionar momentos culturais e de lazer através destas tecnologias” que permitem estabelecer “um contacto em tempo real sem a necessidade de contacto social”, ou seja, “dinamizar os momentos de solidão através da interação entre a comunidade e os utentes a partir de videoconferências”.

A segunda atividade, “Art in a Box – laboratório de criação”, decorrerá entre maio e junho, também através de videoconferência, e pretende a realização de atividades artísticas por parte dos utentes, de forma autónoma. Atividades simples, focadas em conceitos como som, movimento, espaço e palavra, “mas que constituam, ainda assim, um desafio para quem as executa”, sendo que receberão uma caixa com os instrumentos necessários para que os utentes consigam produzir uma obra artística.

Foto: Projeto Gerações

Além destas atividades, o projeto está estruturado em mais três etapas:

Integração no contexto – “fase fundamental” para se compreender a realidade da comunidade que se pretende intervir e para a recolha e análise de informações relevantes para o decorrer do projeto, isto é, a fase inicial do projeto em si, que permite delinear o que se irá realizar posteriormente mediante o público-alvo, de modo a “adequar as atividades às necessidades e interesses reais dos utentes que delas vão usufruir”.

Avaliação das atividades – com o objetivo de compreender se as mesmas estão a corresponder aos objetivos a que se propõem. Após o término do projeto, também realizar-se-á um “procedimento intensivo de avaliação” para se compreender as mudanças que os utentes “sofreram depois da execução das atividades, comparativamente ao seu estado inicial”.

Por último, a realização de uma curta-documental sobre o projeto. Todo o processo realizado ao longo do projeto será “acompanhado por uma realizadora que estará a recolher material para depois produzir uma curta-documental sobre o projeto”.

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