OPINIÃO: A fita académica

Romão Rodrigues, 20 anos, Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Para almas desprovidas de qualquer tipo de denodo, ciclos e todas as fases de transição com diâmetro variável da primeira enumerada são tragos capazes de lascar alguma da carne situada na garganta.

Considerei pertinente a abordagem inicial porque, de certa forma, é possível contemplar o mote e o empurrão necessário para aquela ideia ainda não exposta e sobre a qual pretendo construir algo. Adiante!

“A vida não é fácil”. Por cada passo dado rumo ao corolário já mundialmente reconhecido, a estruturação desta mesma mensagem constitui um ato repentinamente articulado e ulteriormente enviado para o local intermediado por uma pequena atmosfera, dentes e saliva.

Embora ainda não tenha perdido o interesse e o estímulo para a leitura deste mesmo texto, o leitor irrita-se – apesar da não expressão – pelo facto de o autor do diário ingressar numa tentativa sarcástica e (consequentemente) humorística.

“Toda a mudança possui os seus dissabores. Porém, no futuro, quase tudo se transforma em algo positivo”. Não será bem essa a forma mais acertada para discorrer acerca do devaneio, até porque o transporte de caixotes infinitos – e tralhas que decidem dizer presente apenas em dia de mudança – traduzir-se-á em dores no dorso a partir de metade de século de existência.

A situação é agravada consoante o número de mudanças efetuado e é tido em conta o fator da hereditariedade, material essencial na análise. Caso o leitor pretenda que os próximos dois minutos resvalem na plena diversão, o autor aconselha a leitura desenfreada como “os da televisão fazem”, segundo a avó do próprio.

“Os verdadeiros amigos permanecem, as restantes pessoas não podem ser consideradas amigas e são meros conhecidos”. A representação in extremis da travessia FF: nos primórdios da Filosofia, os escolhidos por espírito divino (inserir moeda para tirada castiça) apresentavam certamente uma teoria sobre a amizade e tudo o que a ela estava concernido, dedicando páginas e páginas de esforço, suor e vocabulário de smoking e sapato de vela; por sua vez, nos primórdios do Facebook, a mesma mensagem era perpassada em fotografias e numa espécie de diário virtual com caixa de comentário público (esfuma-se, possivelmente, a designação “diário”).

Se o leitor for minimamente esperto, concluirá que o autor deste texto o tenta deglutir por intermédio da patranha da Filosofia, já que não apresentou uma lista detalhada de autores que seguissem esse rumo nem argumentos válidos que servissem de comprovativo. Após interiorização do facto, erguer-se-á a ideia de fraude, mas a vontade de saber como acaba a peripécia literária persiste.

“É tempo de voar em direção a novos horizontes, de adentrar pelo desconhecido e de percorrer novas etapas”. Relativamente a este tópico enformado em citação, realço algo – presumivelmente – nunca antes visado: a palavra “etapa” apresenta polissemia (está doente, mas estável). Por um lado, significa caminho ou trilho; por outro, forja um novo conceito de tapa (vulgarmente denominado petisco) pelo facto de a mesma se realizar virtualmente.

Sim, estou consciente – tal como o leitor – dos problemas de confeção ao nível do tempero e da preparação. A preocupação é imediata e inerente a qualquer ser humano. O termo da Psicologia a aplicar decidiu não comparecer…

O texto compõe uma sincera homenagem a todos os estudantes recém-licenciados e incumbidos de escrever fitas académicas. O autor considera que 8/10 pessoas utilizaram os termos de “vida”, “mudança”, “amigos” e “etapa” de modo expectável e só não coloca dinheiro ao barulho por traumas antigos.

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