EM TELA CONVIDA: “Isto Não é um Filme”

Imagem: Joana Aleixo

“Isto Não é um Filme” transcende o ecrã, refletindo todo um sistema opressor, traçando um fio condutor que, literalmente e como o próprio nome indica, não se resume apenas a um filme. Toca e carateriza o paradigma humanitário e a censura no Irão; aborda as crises de liberdade de expressão e de pensamento, bem como a relação destas com o caráter e a natureza disruptiva de regimes autoritários.

Documenta, o mesmo, a monotonia do dia a dia de Jafar Panahi – realizador e roteirista iraniano – enquanto se encontrava a cumprir prisão domiciliária por realizar filmes sobre a sociedade iraniana. Retratam, os filmes do realizador, que conduziram, por sinal, à sua detenção, os inúmeros abusos cometidos pelas forças do governo contra direitos humanos. Para além da prisão domiciliária, foi, Jafar Panahi, proibido de realizar e criar filmes, consistindo este o seu primeiro trabalho ilegal.

Daqui avém o merecido sensacionalismo em torno do título da longa metragem, pois este, como já mencionado, mas importa salientar, não é apenas um filme, sendo a sua ousadia um triunfo e um vingar da liberdade de expressão a nível mundial. É a vida do realizador e como a sua liberdade criativa, a sua voz ativa e ativista, desafia todo um regime, ignorando as represálias, ecoando por toda uma nação oprimida que precisa de ser ouvida – e visualizada -, nomeadamente através do filme. Os tumultos, a violência e a repressão dos nossos direitos mais básicos, como a liberdade individual, são, aqui, fácil e amplamente colocados em jogo.

Esta obra cinematográfica, que vem invocar, de uma forma espantosamente divertida, os principais objetivos do cinema – a consciencialização e a empatia -, foi mundialmente aclamada no Festival de Cannes, tendo chegado ao evento de forma clandestina, numa pen drive, escondida dentro de um bolo.

Um filme obrigatório que nos transmite, de forma simples, por filmagens de pouca qualidade através de um telemóvel, em 2011, um apelo pela reflexão e uma análise do impacto resultante da imposição de padrões por regimes opressores.

O filme encontra-se disponível no FilmIn.

Vejam o trailer aqui:

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