EM TELA CONVIDA: “12 Angry Men”

Imagem: Joana Aleixo

“12 Angry Men” é um apelo ao debate, à necessidade de pensamento crítico. Debruça-se numa reflexão democrática sobre os sistemas legais e jurídicos americanos, demarcados pelas pesadas penas que põem em causa uma pluralidade de direitos humanos. São os Estados Unidos da América vistos como o expoente ocidental e o pináculo da proteção dos direitos, liberdades e garantias, que, por si só, são uma construção muito por estes influenciada. Esta noção mínima de direitos são a base do pensamento democrático liberal. Paradoxalmente a isto e como o filme retrata, albergam, alguns dos seus estados, uns dos mais rudimentares e punitivos sistemas legais penais.

Apesar da sua antiguidade, o clássico a preto e branco datado de 1957 retrata vicissitudes da filosofia penalista americana que ainda hoje causam furor por entre os académicos em todo o mundo.

No filme, é convocado um júri de 12 elementos – cada um com a sua perspetiva, as suas vivências e consciência – para decidirem se deve ou não ser aplicada a pena máxima – pena de morte – a um jovem pela prática de um crime. Para quem desconhece o sistema penal americano, caso haja unanimidade em ser aplicada a pena de morte, atendendo aos factos levantados até ao momento, a pessoa é condenada à morte e a decisão só é tomada quando todos votarem igual, a favor ou contra.

Denotamos, inicialmente, uma clara indiferença e até mesmo frieza para com a vida humana do alegado criminoso, esquecendo-se, os júris, que um ser humano não deixa de o ser pelas suas escolhas ou percurso, ocorrendo quase uma despersonalização do ser humano e a sua conversão em números. Há uma vontade de “despachar o assunto” porque os convocados têm mais que fazer, por isso, a reflexão é colocada de lado e há um estímulo ao impulso da condenação, por ser mais fácil e rápido.

11 dos 12 homens convocados votam a favor na primeira votação, menos um, que se recusa a, com tão poucas evidências, tomar uma decisão tão precipitada.

O filme vai cavalgando nos argumentos e contra-argumentos levantados, numa clara crítica e consciencialização do perigo da pena de morte nos sistemas jurídicos penais.

Vejam o trailer aqui:

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