EM TELA: Retratos de uma América Profunda (“Eddington”)

Em Tela, Eddington

A acção de “Eddington” decorre em plena pandemia da Covid-19, em Maio de 2020. Escrito e realizado por Ari Aster (que nos trouxe Hereditary, Midsommar e Beau is Afraid), tem no elenco nomes como Joaquin Phoenix, Pedro Pascal, Emma Stone, Austin Butler, Deirdre O’Connell, entre outros.

Rivalidades crescem na pequena cidade de Eddington, quando o xerife da mesma (interpretado por Phoenix) e o candidato a Mayor (interpretado por Pascal) se confrontam, colocando em cima da mesa os seus ideais e pontos de vista.

Aster oferece uma visão impactante e brutal de uma América profunda e selvagem, onde a pandemia da Covid-19 é só parte de um grande furacão de insanidade, fake news e teorias da conspiração, indo repescar temas polémicos tais como por exemplo o assassinato de George Floyd. O filme pretende ser bastante realista naquilo que transmite e atinge o objectivo, começando por ser um drama onde a tensão vai subindo de escalada até atingir o seu clímax de western puro e sangrento, como uma bomba relógio que acaba por explodir e ter efeitos nefastos.

Joaquin Phoenix é mais uma vez excelente e Pedro Pascal não desilude. O filme tem uns grandes diálogos e o seu argumento é bem construído. Cru e duro, não é para todos, relata uma penosa realidade muito actual e faz uma reflexão sobre os sinais dos tempos que, infelizmente, não são os melhores.

Para mim tornou-se impossível não pensar na América “trumpista” e o poder que alguns líderes têm em mãos, que facilmente manipulam em seu favor. Arrepiante.

Estrelas: 09/10

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

Imagem: DR/Jornal Referência

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