Politicamente Incorreto
O país vive desde o início do mês numa aflição gritante perante os incêndios que assolam o interior. Portugal, principalmente esse Portugal esquecido pelas Cidades azafamadas e enterrado no interior profundo, é sobretudo esse Portugal que sofre. São dias a fio em que populações inteiras não pregam olho durante a noite e que desesperadamente, com os bombeiros e demais operacionais no terreno, ajudam a combater as chamas, protegendo o que há para proteger e lamentando o que há para lamentar.
Pulsa, certamente, no desespero daqueles que ali sofreram e sofrem ainda pelos incêndios o título do livro publicado em 2001 por António Lobo Antunes que se intitula “Que farei quando tudo arde?”. Mesmo se nunca leram o livro ou conhecem sequer o autor, o encontro desta gente com a frase latejante mostra que a vida está sempre em primeiro lugar do que a Literatura e do que tudo em geral.
Enquanto Portugal ardia, Luís Montenegro (LM) procurava a serenidade das terras algarvias para as tão almejadas férias. O que me preocupa é que, perante uma situação que se revelava incontrolável e que exigia, no mínimo, rapidez na ativação de meios de auxílio transnacionais, LM, anunciou da festa do Pontal o regresso da Fórmula 1 já em 2027. Um anúncio certamente oportuno, não hajam dúvidas disso. As suas declarações mostraram pouca sensibilidade e, sobretudo, diminuta sintonia e preocupação com a situação do país e dos portugueses. E estes, certamente, não esquecerão isso tão cedo.
Simão Mata, psicólogo