Basta um passe mal calculado, um penálti falhado ou uma decisão menos feliz para um jogador passar de herói a alvo de críticas. Durante o Mundial, os erros ficam expostos perante milhões de pessoas. Na vida, embora o público seja mais pequeno, a sensação pode ser muito semelhante.
Errar faz parte da experiência humana. Ainda assim, muitas pessoas vivem o erro como um sinal de incapacidade ou de fracasso. É frequente evitarmos desafios, desistirmos facilmente ou exigirmos demasiado de nós próprios por receio de falhar. O problema não está no erro em si, mas no significado que lhe atribuímos. Quando pensamos “não sou capaz”, “não sou suficientemente bom” ou “vou voltar a falhar”, é natural que surjam emoções como vergonha, ansiedade ou frustração. Estas emoções podem levar-nos a evitar novas experiências ou a procurar uma perfeição impossível de alcançar.
Mas será possível lidar melhor com o erro? A resposta é sim.
O primeiro passo é lembrar que errar não define quem somos. Um erro descreve um comportamento ou uma decisão num determinado momento, não o nosso valor enquanto pessoas. Da mesma forma que um jogador não deixa de ser competente por falhar um penálti, nós também não deixamos de o ser quando algo não corre como esperávamos.
O segundo passo é substituir a pergunta “Porque é que falhei?” por “O que posso aprender com isto?”. Esta pequena mudança ajuda-nos a passar da crítica à reflexão. Em vez de ficarmos presos ao erro, procuramos compreender o que aconteceu e o que podemos fazer de forma diferente da próxima vez.
Por fim, vale a pena prestar atenção à forma como falamos connosco próprios. Muitas vezes somos muito mais duros connosco do que seríamos com um amigo. Se alguém de quem gostamos cometesse um erro, dificilmente lhe diríamos que é um fracasso. Porque haveríamos de dizer isso a nós próprios?
Aceitar o erro não significa conformarmo-nos com ele ou deixar de querer melhorar. Significa reconhecer que falhar faz parte de qualquer processo de aprendizagem e que ninguém evolui sem experimentar, ajustar e voltar a tentar. No Mundial, os jogadores sabem que um erro pode mudar um jogo, mas também sabem que o jogo não termina aí. Na vida acontece o mesmo. O erro pode fazer parte da história, mas não precisa de escrever o final.
Imagem: DR/Jornal Referência