Dia Internacional da Juventude: Academia de Política Apartidária marca 8 anos a unir os jovens à política

Foto: peoplecreations/Freepik

Esta quarta-feira celebra-se o Dia Internacional da Juventude e o Jornal Referência foi conhecer um pouco mais sobre a Academia de Política Apartidária, que comemora esta semana oito anos a tentar criar uma ligação mais forte entre os jovens e a política e desenvolver o espírito crítico.

O nascimento da ideia

Em agosto de 2012, surgiu a Academia de Política Apartidária (APA) por alunos da Faculdade de Economia do Porto e sob o lema “A política começa nos jovens”.

Rosina Pereira foi uma das fundadoras e presidente da organização, que tem como objetivo desenvolver o espírito crítico dos jovens estudantes universitários, sempre com uma visão “apartidária”. “A falta de debate e escrutínio do poder político” foram os principais impulsionadores para a criação desta organização de carácter associativo e sem fins lucrativos.

“Uma democracia é tão mais desenvolvida quanto maior for o espírito crítico dos seus cidadãos, repercutindo-se, assim, na qualidade dos decisores políticos que a representam. Para tal, é fundamental incentivar o debate e conhecimento nos mais novos, a qualidade e escrutínio do jornalismo e da informação em geral e o desempenho das instituições fundamentais para uma democracia”, explica ao Jornal Referência.

Segundo a antiga presidente, pretendiam “criar um verdadeiro espaço de aprendizagem e de debate dentro da Academia do Porto e, também, em escolas do ensino secundário”, daí que aprender “era e sempre foi” a motivação.

Admite que a principal dificuldade que enfrentaram foi o facto de serem todos estudantes, sem experiência associativa, e a capacidade de formalizar a associação. No entanto, depois de oito anos de existência, Rosina Pereira vê esta celebração “com muita saudade e orgulho”.

“Saudade por tudo o que aprendi, saudade pelas pessoas que conheci e que muito me inspiraram e saudade de fazer política com um conjunto de pessoas com várias formações, diferentes opiniões e ideologias, que davam sempre o melhor de si apenas pela paixão e sentido de responsabilidade para contribuir para uma sociedade mais crítica e informada”, acrescenta.

Atualmente, Rosina Pereira está a terminar o Mestrado em Economia na FEP e admite que a APA “despertou muito” o interesse por política económica e o seu pensamento mais filosófico.

Para integrar o projeto, afirma que é necessário que o jovem possua “interesse por política, espírito crítico, muita vontade de aprender e de contribuir para uma sociedade mais informada mais preparada para escrutinar, debater e contribuir para a construção de um futuro melhor, seguindo sempre as suas convicções”.

Foto: APA

Oito anos depois

“São oito anos de muito trabalho, mas muito recompensados pelos resultados que temos vindo a alcançar, por isso, de muito orgulho na organização”, sublinha Gabriel Gonçalves, atual presidente da APA.

“Vejo estes oito anos de APA como uma prova de que nunca foi tão pertinente como é hoje o trabalho que fazemos. Pela sua atividade, a APA já foi capaz de impactar muitos jovens e de lhes mostrar que eles podem ser uma parte importante do nosso futuro”, continua.

Assim que entrou para o curso de Ciências da Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 2016, Gabriel Gonçalves optou por entrar logo na APA, na qual também foi colaborador do departamento de marketing. O objetivo era integrar projetos que pudessem complementar o percurso na licenciatura e a APA “poderia ser uma opção interessante”, tendo em conta o seu “interesse na área da política e da cidadania”.

Hoje em dia, o jovem é assessor de comunicação e não tem dúvidas de que o seu trabalho nesta organização “foi e continua a ser muito importante” para o seu “desenvolvimento profissional” e exemplifica, dizendo que as suas funções como dirigente associativo “ajudaram imenso” na gestão e organização do trabalho.

Para o seu mandato de um ano, a principal missão é trabalhar juntamente com a equipa “para que a APA continue a impactar cada vez mais jovens, mostrando-lhes o quão importante é serem cidadãos atentos e participativos”.

No que diz respeito a uma perspetiva a médio prazo, daqui a cinco anos, Gabriel Gonçalves espera “um projeto ainda mais consolidado, mais abrangente e capaz de impactar mais jovens”. “Se continuarmos a trabalhar com a mesma convicção que temos hoje, seremos uma referência no âmbito da educação para a política e a cidadania”, refere.

Os jovens e a política

Muitas vezes questiona-se o interesse dos jovens pela política. Rosina Pereira acredita que “uma aposta na juventude é uma aposta no futuro” e, por isso, considera que “os partidos deveriam ser mais abertos à sociedade e, consequentemente, aos jovens”.

Defende também que devia ser fomentado “o interesse e o espírito crítico nas escolas”, levando aos jovens a realidade do país, “os temas do dia a dia, questões de política europeia e internacional” e “proporcionar momentos de debate e reflexão para que, aos poucos, o interesse surja”.

Gabriel Gonçalves diz também pensar dessa forma e que “os agentes políticos têm o papel de desenvolver estratégias para captarem o interesse desta parte da população para a política e isso passa muito pela aposta, na oferta educativa, de atividades curriculares e extracurriculares que promovam a importância da cidadania, por exemplo”. Além disso, “o trabalho de organizações também é muito importante nesta vertente, e nesse sentido a APA tem também um papel a desempenhar”.

Questionado sobre o impacto da pandemia neste âmbito, o presidente da APA acredita que “é uma oportunidade para colocar os jovens a pensar neste tipo de questões”.

“Por outro lado, e tendo em conta o contexto de eleições que vamos viver no futuro próximo, com destaque para as presidenciais e para as eleições norte-americanas, o tema da desinformação será certamente uma preocupação nossa”, informa.

Ana Regina Ramos e Mariana Sousa Lopes

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