OPINIÃO: Tema polémico

Herman José Ribeiro

O tema que escolhi para hoje é o racismo. Por duas razões: uma, porque está na ordem do dia. Outra, porque ainda posso escolher. Por isso, é despachar estes assuntos enquanto se pode.

Esta semana foi claramente marcada pela “parada Ku Klux Klan”. Eu quando ouvi falar em “parada” fui logo a correr comprar um salto alto, uma camisa às flores e um batom cor de vinho. Depois disseram-me que era uma “parada Ku Klux Klan”. E eu aí achei estranho porque não sabia que já se tinham assumido.

Mais tarde, informaram-me que era uma manifestação de extrema-direita com máscaras brancas e tochas numa “iconografia” à la supremacista branco, dirigindo provocações e ameaças junto ao edifício da SOS Racismo.

Acho isto tudo profundamente repreensível. Agora, o que fizeram depois com isto é que é reprovável. Então o jornal Inimigo Público, suplemento humorístico do jornal Público, decidiu apresentar, como capa do jornal, um cartoon humorístico que retrata a famosa “parada Ku Klux Klan” da noite de sábado.

Vejamos: uma coisa é haver provocações e ameaças que poderão desencadear em violência e, consequentemente, morte; outra são uns rabiscos perigosamente elaborados de forma a divertir e caricaturar determinada situação. Todos sabemos que se a Anne Frank não tivesse desenhado aquele manguito no seu diário, ainda hoje era viva e uma possível vencedora do nobel.

No cartoon em causa vê-se um grupo de pessoas, oito ao certo, numa manifestação muito semelhante à da noite de sábado. Com tochas e tudo. Uma dessas pessoas retratadas é um agente da autoridade. Ora, o cartoon e esse estranhíssimo fenómeno que é ver um agente da autoridade pertencer a um grupo de extrema-direita indignou e levou à intervenção da Polícia de Segurança Pública. Em comunicado, lamentaram “a leviandade com que o jornal e o cartoon em questão feriram a boa imagem da instituição e dos polícias que nela servem e protegem os nossos concidadãos”. E eu a pensar que a única coisa que manchava a imagem da PSP era o Movimento Zero.

Eu acho esse fenómeno de criminalizar desenhos muito parecido a umas coisas que ouvi dizer que havia nos anos 30/40 do século passado. E disseram-me que esses anos foram o apogeu da paz, liberdade e igualdade. Que o único nazi no mundo era um tipo que trabalhava num talho em Moscavide.

Por fim, quero apenas dizer que acho isto muito triste. Em minha bandeira informo-vos que não sou apologista de nenhum movimento. Aliás, se fosse a favor de movimentos criava um movimento contra todos os movimentos.

Agora tenho de ir andando que fiquei de ir à aula de pintura em tela. A ver se acabo aquilo e começo a trabalhar no bigode do Ventura.


Nótula em jeito de recomendação:

Este livro: O Apelo da Tribo, Mario Vargas Llosa

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta