OPINIÃO: Falta uma vacina de Noção

Chiça, o estado da vossa cara. Parece que andaram a comer catos à bulhão pato. Vejam lá se resolvem isso. Aposto que para as crónicas do Pacheco Pereira até põem pó de arroz e uma brilhantina da moda só para disfarçar o pequeno-almoço do dia anterior. Que seja a última vez que me apareçam desta maneira. Para a próxima ficam só com o título.

Estava mesmo aqui a debater com o avô cantigas que era um sonho ver aquele pessoal de quarenta anos que se veste de puto de vinte fazer um part-time no Portugal dos Pequeninos com a farda da Zippy. E os cinquentões que ainda usam as palavras “bué e “tasse bem” obrigava-os a ler a obra completa do Aquilino Ribeiro na Bershka. Posto isto, vamos ao tema.

Então há por aí malta espalhada pelas ruas de Madrid, Bruxelas e Berlim (segundo o Expresso) que exigem o fim do uso obrigatório de máscara de proteção contra a covid-19. Antes de me pronunciar sobre isto, primeiro quero só fazer um minuto de silêncio em nome das pessoas que escrevem “o covid”.

E…………………………………. Já está.

Relativamente à malta contra as máscaras, era pô-los a marinar em vinha d’alhos e de seguida deixá-los crestar.

Antigamente quando se queria ser irreverente pintava-se o cabelo de roxo ou chamava-se padrasto ao próprio pai e vinha-se de peito cheio para a rua. Agora acham que sendo apenas umas bestas são mais irreverentes do que umas calças à boca de sino.

De acordo com o Expresso, em Portugal ainda não há protestos marcados com o mesmo fim. Há, isso sim, petições públicas online – são já quatro – para a Assembleia da República com centenas de assinaturas. Os argumentos são a parte gira. Diz um promotor: É “inadmissível que as autoridades possam interferir na forma como respiramos (…) caminhamos todos a passos largos para uma perigosa ditadura, em que os termos ‘regras’, ‘obrigatório’ e ‘proibido’ vão estar no centro das nossas vidas”. Para este anarquista a sociedade de sonho era regressarmos ao paleolítico.

Outra petição garante que “generalizar o uso de máscaras vai trazer mais malefícios do que benefícios” e que elas são resultado de uma “sociedade focada na doença e não no bem-estar das pessoas. Sem máscara, porque respirar é preciso”. Todos sabemos que as máscaras já mataram mais do que a lepra. Aliás, ainda estou à espera de uma vacina contra as máscaras. É preciso ter muita autoestima para se dizer que o mal disto tudo são as máscaras. Era a covid juntar-se e dar-lhes um grande abraço, bem caloroso, e levá-los a todos. Dá-me a sensação que esta gente deve ser a mesma que preferem que os filhos apanhem poliomielite do que uma gripe sazonal porque deus assim o determinou.

A quarta petição e última (por agora): “O Estado que proteja convenientemente os mais velhos, os doentes, melhore os serviços de saúde e deixe os portugueses em liberdade com a sua responsabilidade individual.” O liberalismo desta gente é perturbante. Ora querem estado ora querem liberdade individual. São os mesmos tipos que defendem a ideia de que existe igualdades de oportunidades e que o privilégio é coisa da imaginação das minorias. Que o pobre só é pobre porque não quer trabalhar.

Vou acabar a crónica aqui porque estou atrasado para uma manifestação que vai haver contra aquela gente que guarda as máscaras no cotovelo. Depois amanhã conto-vos como foi.


Nótula em jeito de recomendação:

Este livro: Escrever, Stephen King

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