OPINIÃO: Movimento

Francisco Lima, 22 anos, Licenciado em Direito pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique

Vivemos em constante movimento, a correr desenfreadamente com um destino ou objetivo aparentemente obrigatório. Vivemos a querer mais, fazer mais, comprar mais, a tentar, com isso, ocupar, inutilmente, pequenos vazios dentro de nós.

Somos uma sociedade capitalista e corporativa e tentamos ignorar tudo o que possa distorcer essa realidade, que até é confortável. Hoje em dia, nesta dita sociedade contemporânea, é-nos difícil parar para pensar, para estarmos connosco mesmo ou para apreciarmos um simples momento. Porque mesmo nos momentos bons, não nos abstraímos do mau dia que tivemos ontem ou da tarefa que temos que fazer no dia seguinte ou daqui a umas horas. Vivemos a correr de um ponto para o outro, com um objetivo ou uma meta, que nos cega e mecaniza de tal forma que não temos em atenção o trajeto.

Quando digo que vivemos a correr de um ponto para o outro, não o digo apenas metaforicamente, mas sim também no sentido literal. Temos o nosso dia de tal forma estruturado e cronometrado, numa tentativa vaga de controlar o tempo, que nos tornamos dependentes do chegar mais rápido e tudo o que nos surja ao longo desse caminho é um obstáculo. Vivemos a correr de casa para o trabalho, do trabalho para o metro ou para o comboio e isto repetida e doentiamente. Não olhamos para quem passa por nós nas ruas, não temos empatia porque, como boa sociedade capitalista da qual fazemos parte, as pessoas à nossa volta são só números, não humanos. São só apenas parte da equação de 8 biliões de pessoas que existem.

Queremos chegar aos 40 anos com uma grande bagagem, com uma mochila repleta de memórias e histórias para contar, porque é de histórias que nos dizem que somos feitos, ter assunto para falar com toda a gente porque os silêncios são constrangedores, queremos movimento, queremos sentirmo-nos úteis e ocupados porque assim achamos que ficamos preenchidos de alguma forma.

Por vezes as melhores memórias que tanto procuramos estão na simplicidade de um momento, de uns minutos, não do outro lado do oceano, numa viagem de 6 meses ou no ter um escritório com amplas janelas. As memórias constroem-se naturalmente, não se impõe a nós mesmos.

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