OPINIÃO: Hoje não tenho título, apenas texto

Herman José Ribeiro

Não me apetecia nada escrever a crónica desta semana, mas depois pensei melhor e continuei a não querer escrevê-la. Dá-se o caso que sou mesmo obrigado. Desse modo, quando ouvi aquela microempresária a gritar com o PR de smartphone em riste na feira do livro do Porto é que me apercebi que tinha mesmo era de falar sobre as praxes. Se aquela contenda demorasse mais um bocadinho a doutora ainda obrigava o caloiro Marcelo a encher mais quatro anos. Permitam-me dizer, mas aquela ufania toda é de quem pertence ao Conselho de Veteranos da Católica. Mais à frente a empresária riposta: “porque é que eu tenho que comer pão?” Só faltava o Marcelo ter respondido: “se não quer comer pão, coma brioches”. Notou-se que a empresária não estava nada habituada com os hábitos da populaça. É preciso arrojo para adquirir hábitos da ralé. A empresária antes da pandemia devia comer camarão-tigre ao pequeno-almoço. Pelo menos desde os 14 anos que, segunda ela, já ganhava 580 euros exatamente como um pobre de 14 anos. Comer pão, para a empresária, é quase como ser militante do PCP.

Vocês perguntam-me – e bem: “Herman, onde é que esta crónica tem alguma coisa que ver com as praxes?”. Eu respondo: “Jaime”. Estou a brincar. A dada altura, a empresária, refere que a solução para o país seria o Doutor Paços Coelho. Quem gosta muito de jovens universitários em vias de acabar os cursos, quem é? Exatamente, o Tomás Taveira. Mas há outro que falei: Paços Coelho. Logo, há união de temas. Portanto, não me interrompam novamente.

Se alguma coisa houve de positivo que a pandemia trouxe foi o distanciamento em filas de supermercado, mas também a interrupção das praxes. Foi preciso uma pandemia para pararem com aquilo. Acho que as praxes deviam ser realizadas no Estado Islâmico pelo professor Al-Salbi. Pelo menos eram mais estimulantes e com um carácter sui generis. Não é possível as praxes durarem muito mais. Por quanto tempo os miúdos vão aturar aqueles jogos de humilhação, subserviência e abuso de poder? Daqui a 100 anos acredito que não vai haver mais a tradição das praxes como também não haverá os Jogos Pan-Helénicos em honra de Zeus. Espero que haja evolução nas moleirinhas dos miúdos. Mas se daqui a 100 anos não houver humanidade, então melhor. Para mim saíamos nós e entravam os dinossauros.

O ministro Manuel Heitor já disse que repudia as decisões associadas a praxes académicas. Mas há quem defenda o contrário, no caso da boçal líder do Conselho de Veteranos de Coimbra, que argumenta que as “praxes deverão decorrer à mesma, visto que passa a haver aulas presenciais”. Eu até respondia a isto, mas prefiro manter a distância social porque a par com a covid esta pandemia também aleija. Até para a semana e quinze agachamentos.


Nótula em jeito de recomendação:

Este livro: Um Bailarino na Batalha, Hélia Correia
Esta série: Cobra Kai, Netflix

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