OPINIÃO: A mim, calhou-me esta

Romão Rodrigues, 20 anos, Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

A paragem. O local onde se alistam pessoas está repleto de peste, de retratos absortos sobre questões existenciais e, simultaneamente, profanas. A dúvida, na sua aceção mais generalizada, contextualiza eventuais certezas e predisposições.

Entretanto, a mecânica faz-se ouvir. O ruído atinge decibéis considerados e desconsiderados por outros que tanto. O comboio resvala na agitação e instiga um impasse um tanto paciente, mas profundamente irredutível. Consta-se que os carris dançaram a valsa do tumulto.

A normalidade apontava na direção da tristeza, da segregação familiar, da reminiscência e do controlo do mais sórdido formato de sentimento: a saudade.

As mulheres foram beijadas, abraçadas e atreladas ao órgão propulsor de pertença e resguardo. Os homens, por sua vez, no derrame habitual, soltos e atirados a um cubículo perpendicular, munidos dos seus pertences.

A guerra teve o seu prólogo.

Içou-se o pano negro, as cortinas cerraram os seus dentes e o fotograma – envolto na sua acalmia – alterou a cor.

*Uma pessoa extremamente apressada para o último comboio da noite com destino a (não consegui ler à distância) deixou escapar um conjunto de folhas redigidas. A preciosidade de tais objetos provocou, de imediato, a recolha dos que cercavam o perímetro onde foram deixados. A mim, calhou-me esta.

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