EM TELA: Quando o Pó Assenta

Imagem: Joana Aleixo/DR

“Quando o Pó Assenta” é um dos mais recentes êxitos da televisão escandinava. Uma série dinamarquesa de 2020, encenada no coração de Copenhaga, onde 10 personagens completamente distintas vêm as suas vidas interligadas quando, numa trivial noite de sábado, há um atentado num restaurante onde estas, por diversos motivos, foram lá parar.

Traz para cima da mesa um debate sobre a construção ocidental, altamente sensacionalista e eruptiva, da noção de terrorismo, que não procura soluções, mas culpados. Procura ainda, a série, despir muitos dos preconceitos sociais associados à religião, à orientação sexual ou mesmo ao posicionamento político, na dicotomia do espetro direita/esquerda.

Torna-se palco, ao longo dos 10 episódios, a individualidade e a subjetividade das personagens, pessoas comuns, traçando-se um fio condutor que as emaranha a todas numa teia de coincidências e acasos, entre o presente, o passado e o futuro.

Nikolaj, uns dias antes do atentado, torna-se dono do restaurante, atingindo um sonho com que sempre ansiara; Elisabeth é a ministra da Justiça do partido conservador dinamarquês, casada com Stina, vive na dúvida entre o estimulante jogo político, a luta contra as forças populistas e radicais que florescem no seu partido ou a tranquilidade da reforma com a sua esposa.

Ginger é uma pessoa em situação de sem abrigo que vagueia as ruas segregadoras e as portas fechadas de Copenhaga; Marie, uma menina de 8 anos, é filha de Louise, estudante e empregada no restaurante, e as duas apoiam-se mutuamente numa família monoparental, com todas as dificuldades a tal associadas.

Jamal é um jovem libanês inseguro que se quer integrar numa sociedade racializada, procurando satisfazer as expectativas da sua família; Lisa, é uma famosa cantora sueca que procura um novo recomeço na Dinamarca. Holger, pai de Stina, é um senhor idoso e solitário, fechado num lar, que procura pôr termo à própria vida e à impotência proporcionada pela idade; e, por fim, Morten, que é canalizador e vive uma vida tranquila com a sua mulher e filhos quando é abalado por uma avalanche de emoções com o sentimento da iminência da morte, que o atentado lhe provocou.

A série é uma bonita rodagem que apela ao respeito e à importância da diversidade religiosa e cultural e percorre, em tons neutros, as ruas de Copenhaga, desde as suas principais vistas junto aos canais às zonas periféricas e suburbanas.

A série encontra-se disponível no FilmIn.

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