Os martelos de São João fazem parte da tradição das celebrações do São João. Quem sai à rua nos locais onde é comemorado está sempre arriscado a levar uma “martelada” na cabeça. Mas como surgiu a ideia de incorporar estes martelos de plástico coloridos na festa?
Os martelinhos de São João foram criados em 1963 pelo industrial Manuel António Boaventura, da Fábrica Estrela do Paraíso (uma fábrica de plásticos já desativada), em Rio Tinto, no concelho de Gondomar.
O objetivo era que servissem como brinquedos, tendo sido inspirados num saleiro/pimenteiro que viu numa das suas viagens que realizou ao estrangeiro, segundo refere a Câmara Municipal do Porto. Depois, acrescentou um cabo e um apito.
Na altura, os estudantes do Porto procuravam um brinquedo ruidoso para celebrar a Queima da Fitas e Manuel Boaventura sugeriu este martelo. O sucesso foi tal que os jovens usaram-no depois nas celebrações do São João, em junho, o que gerou ainda mais curiosidade na população, que acabou por adotar em massa este objeto naquela que é considerada a noite mais longa do ano.
E assim iniciou-se uma tradição que se estende até aos dias de hoje e estende-se a outros concelhos, como Braga e Vila do Conde.
Contudo, houve uma proibição durante este tempo. Cerca de cinco anos após a intensificação da venda dos martelos de São João, a autarquia considerou que o brinquedo ia contra a tradição, fazendo queixa ao Governador Civil do Porto.
De acordo com a freguesia de Rio Tinto, Manuel António Boaventura foi notificado, então, que não podia vender o produto para a festa do ano seguinte e que quem fosse apanhado com o martelo durante o período das festas seria multado em 70$, tendo também mandando apreender todos os martelinhos dos estabelecimentos que os vendessem. A população não aceitou esta decisão e continuou, de forma mais ou menos discreta, a utilizar este brinquedo.
O proprietário da fábrica sentiu-se lesado e colocou uma ação em tribunal. Depois de recorrer, em 1973, para o Supremo Tribunal, ganhou o processo, podendo, assim, continuar a fabricar e a vender, os já famosos martelos de São João.

As celebrações do São João
A 24 de junho, comemora-se o São João, que é feriado municipal em vários concelhos do país.
Uma das origens conhecidas para a celebração desta data está relacionada com o nascimento de São João Baptista, que, de acordo com a religião católica, batizou Jesus Cristo.
Existe ainda uma origem pagã associada a esta data: o solstício de verão (o dia com o maior número de horas de luz solar do ano), que acontece por estes dias. Os festejos estavam ligados à celebração da natureza, das colheitas e à adoração ao deus do Sol.
É feriado municipal devido ao Dia de São João nos concelhos (da Região Norte) de: Braga, São João da Pesqueira, Tabuaço, Moimenta da Beira, Armamar, Cinfães, Castelo de Paiva, Vila do Conde, Valongo, Porto e Vila Nova de Gaia. Em Guimarães, esta data é também comemorativa do Dia Um de Portugal, quando aconteceu a Batalha de São Mamede, que deu origem a Portugal.
Pelo país, são várias as celebrações desta data, com vários elementos característicos: o martelo de São João, o alho-porro, o manjerico, as sardinhas com pimentos assados e caldo verde… Porto e Braga são algumas das cidades do Norte que celebram mais entusiasticamente este dia. Em Valongo, há uma vila que também festeja esta altura do ano de forma particular: Sobrado.
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Foto: Vânia Sousa