OPINIÃO: Autárquicas 2025 – Uma estranha omissão mediática

Simão Mata, psicólogo

Politicamente Incorreto

Não me considero o cidadão mais informado do Mundo mas também não permaneço indiferente ao que me rodeia. Nesse sentido, tenho notado que a comunicação social se tem redobrado ultimamente em excessivas notícias, reportagens e entrevistas aos candidatos às eleições presidenciais (que só serão realizadas no próximo ano) ao mesmo tempo em que se verifica uma estranha omissão mediática relativamente às eleições autárquicas que se realizarão já este ano, algures entre setembro e outubro.

A importância destas eleições para o desenvolvimento do país é enorme, ou não fosse a realidade autárquica aquela que melhor espelha e traduz a proximidade do poder político com as populações. Os autarcas, às vezes independentemente da cor política, são os primeiros a recolher da sociedade civil os descontentamentos, as preocupações, mas também a validação de determinadas ações políticas que eles próprios ou o poder central tomam ou tomaram durante os anos de exercício. De modo que me incomodam os inúmeros tempos de antena a cobrir as declarações de Gouveia e Melo, Marques Mendes ou António José Seguro quando a atenção mediática em torno das autárquicas está completamente mirrada.

Não se trata, evidentemente, com esta minha opinião, de subalternizar o cargo do presidente da república, o supremo chefe das forças armadas. Mas temos que admitir que ainda está muito presente o mito sebastianista que tanto nos caracteriza enquanto povo, tentando encontrar a toda a força o “salvador da pátria” ao mesmo tempo que se diminui a consciência e responsabilidade coletivas pelo desenvolvimento do país. Talvez isto explique, pelo menos em parte, a excessiva mediatização em torno da eleição de um presidente da república cuja função seria a de ter a responsabilidade quase messiânica de colocar toda a bandalheira na ordem. Numa crónica no Jornal de Notícias do dia 19 de abril deste ano, o sociólogo e ex-dirigente da CGTP-IN Manuel Carvalho da Silva dizia: “De tempos a tempos, o individualismo instala-se de forma exacerbada, a negar o ser humano como ser social e a tentar afastar-nos de uma evidência crucial – os grandes problemas da humanidade são coletivos e as soluções para eles têm de ser encontrados em comum”. Será esta discrepância entre a mediatização das presidenciais e autárquicas um dos exemplos concretos disso mesmo?

Simão Mata, psicólogo

0 thoughts on “OPINIÃO: Autárquicas 2025 – Uma estranha omissão mediática

  1. Organização muito mal feita em Canidelo mesas de voto na associação recreativa de alumiara. Secção 5 sem ninguém. Secção 4 com fila até quase ao portão. Pessoas ao sol e a aguardar mais de uma hora. Não se admite. Depois pedem que se vá votar. Lol

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