Para ver este filme, fui fazer uma longa caminhada até Lisboa, à sessão de abertura do MotelX (Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa) onde foi exibido. Não, não o fiz a pé, como acontece com os personagens desta narrativa, estejam descansados!
Este filme de 2025 é baseado numa história de Stephen King, neste caso sob o pseudónimo Richard Bachman, e foca-se numa caminhada anual onde o último sobrevivente (o que conseguir caminhar mais milhas) vence, numa América totalitária. Temos então aqui mais uma adaptação de uma obra do autor, cujas histórias haviam sido milhentas vezes adaptadas ao grande ecrã. Será que esta caminhada compensou?
O filme conta com participações de peso no elenco, como Cooper Hoffman (o filho de Philip Seymour Hoffman) ou ainda Mark Hamill, que todos conhecemos da “Guerra das Estrelas”.
Achei um bom filme, senti-me envolvido na história e nas relações entre as personagens, que vão partilhando as suas histórias e percursos de vida. Pensei em “Stand By Me”, outra adaptação de King para as telas, onde essa relação entre as personagens também acontece. Foi emotivo de ver, a par das paisagens bonitas e das boas interpretações. Ri muito com o filme e essa comicidade bem como alguns diálogos foram um dos seus pontos a favor.
Todavia, o seu ritmo acelerado fez com que eu sentisse falta que explorassem mais aspectos narrativos que foram apressados e por isso senti que o filme não respirou como devia. Também senti que algumas cenas foram um pouco toscas na execução e que necessitavam de polimento e certas decisões narrativas que foram tomadas prejudicavam o filme.
Contudo, foi um tempo bem passado e as adaptações de obras do mestre King nunca são demais, se forem bem executadas, e esta, apesar das suas falhas, conseguiu arrancar belas gargalhadas e provou ser um thriller aceitável.
Estrelas: 3/5
Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.
Imagem: DR/Jornal Referência