Todos conhecem os calendários do Advento como pequenas amostras de chocolates, doces ou ainda produtos em embalagens festivas, que criam alguma expectativa pela surpresa de abrir as pequenas portinhas em cada dia de dezembro antes de chegar ao Natal. Mas a tradição vai muito além disso e o Jornal Referência tentou descobrir mais sobre as suas origens.
Antes de mais, é importante esclarecer que a palavra “Advento” vem do latim, “adventus”, que significa “chegada”,
Tal como muitos outros costumes relacionados com esta época, este tipo de calendários surgiram como uma tradição cristã secular que serve como forma de preparação espiritual para o Natal. Ou seja, é o período de preparação para a celebração do nascimento de Jesus Cristo e também de preparação para a Segunda Vinda de Cristo.
Nas igrejas ocidentais, o Advento começa no domingo mais próximo de 30 de novembro (Dia de Santo André) e é o início do ano litúrgico, apesar de a maioria dos calendários do Advento comerciais não cobrir toda a temporada do Advento, pois a duração muda a cada ano.
A verdade é que não é conhecida a data ao certo em que esta tradição foi observada pela primeira vez, mas algumas fontes acreditam que remonta ao século IV d.C., quando era um período de preparação para o batismo de novos cristãos em janeiro. Na Idade Média, o Advento passou a ser associado ao Natal, segundo refere a enciclopédia Britannica.
Muitas igrejas e lares cristãos marcam os quatro domingos da época com uma coroa do Advento, que é composta por quatro velas rodeadas por folhas ou outras decorações. A primeira vela é acesa no primeiro domingo do Advento, muitas vezes, com uma oração ou devoção, e as restantes nos domingos que se seguem.
Inicialmente, esta coroa, com raízes no século XVI, era de abeto e continha 24 velas, mas o número acabou por ser sido reduzido para quatro, simbolizando, respetivamente, esperança, paz, alegria e amor.
No caso dos calendários, a tradição terá começado no século XIX, alegadamente, através de uma mulher alemã, que vivia em Munique e estava cansada de responder incessantemente quando é que o Natal chegaria.
O que é certo é que os protestantes alemães contavam os dias até ao Natal através de atividades como acender uma vela, colocar uma palha no presépio, marcar paredes ou portas com giz ou pendurar uma imagem de devoção na parede. No início do século XX, surgiram os primeiros calendários impressos comercialmente.
O editor alemão Gerhard Lang é creditado por ter adicionado pequenas portas na década de 1920, atrás das quais havia imagens. A inspiração terá vindo da sua mãe, que, durante a sua infância, costurava 24 bolachas ou 24 imagens em papelão e permitia que ele comesse (ou olhasse) um por dia durante o Advento. Outros editores incluíram, mais tarde, versículos da Bíblia.
A impressão dos calendários do Advento foi interrompida durante a Segunda Guerra Mundial, quando o papel era racionado e o Partido Nazi proibiu a impressão de calendários com imagens. No final da guerra, algumas editoras, incluindo Richard Sellmer, cujos calendários continuam a ser vendidos no século XXI, começaram a imprimir novamente os calendários tradicionais do Advento, e os militares que regressavam trouxeram-nos para os Estados Unidos e para outras partes do mundo.
A introdução do chocolate atrás das portas fechadas terá começado na década de 1950. Hoje em dia, os calendários do Advento “escondem” diferentes produtos e alimentos e já fazem completamente parte desta época em Portugal.
Foto: Momo_2210/Pixabay