Esta quarta-feira, 1 de abril, assinala-se o Dia das Mentiras.
As origens desta data, de acordo com uma das histórias conhecidas, remontam ao ano de 1564, altura em que o rei Carlos IX decidiu adotar, em França, o calendário gregoriano, que marcava 1 de janeiro como o primeiro dia do ano. Antes, era celebrado a 25 de março, durante as festas de primavera, e as comemorações duravam uma semana, terminando a 1 de abril com uma troca de presentes.
Contudo, alguns franceses que não aceitaram a mudança ou não estavam bem informados eram chamados de “tolos de abril” (“April fools”). Acabaram por ser ridicularizados por aqueles que adotaram o novo calendário, que lhes enviavam presentes estranhos e pregavam partidas como convidar para festas (que não existiam) no dia 1 de abril.
Outra história sobre o surgimento desta data também remete a França, que celebra o dia do “Poisson d’Avril” (peixe de abril – talvez referindo-se a um peixe jovem e, portanto, considerado mais fácil de apanhar/enganar). Neste dia, as pessoas tentam colar um peixe de papel nas costas de outras, gritando “Peixe de abril” assim que percebem que foram enganadas. O poeta e compositor francês Eloy D’Amerval tem uma referência, num dos seus poemas de 1508, a um “peixe de abril” no “Livro da Malícia” (“Book of Deviltry”), segundo indica a National Geographic.
O Dia das Mentiras assemelha-se, de certa forma, à Hilaria, um festival da Roma Antiga, celebrado a 25 de março, e ainda ao festival hindu da primavera Holi e ao Sizdah Bedar, um festival iraniano celebrado 13 dias após o equinócio da primavera, também assinalados com pequenas mentiras e diversão.
Também existem referências às origens desta data poderem igualmente estar em Inglaterra, na Idade Média. Na obra do poeta inglês Geoffrey Chaucer “O Conto do Padre que Acompanhava a Freira” (“The Nun’s Priest’s Tale”), publicado por volta do ano 1390, é contada a história de um galo e de uma raposa que tentam enganar-se mutuamente. O poema refere-se às partidas que ocorrem 32 dias após o início de março, mas alguns estudiosos acreditam que o texto inclui erros tipográficos introduzidos por um escriba medieval, colocando, assim, em causa esta teoria.
Hoje, esta data é assinalada através de uma partida a alguém conhecido ou uma brincadeira inofensiva que tem por base uma história ou afirmação que não é verdade.
Esta é uma boa ocasião para recordar que mentiras existem e são divulgadas ao longo de todo o ano, por isso, é sempre importante verificar uma informação antes de partilhar com alguém.
Vejam mais aqui e aqui sobre como detetar desinformação online.
Foto: Jametlene Reskp/Unsplash