OPINIÃO: Demasiada tragédia

Romão Rodrigues, 20 anos, Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Normalmente, uma pessoa arrebata qualquer dobradiça de um retângulo em madeira quando se acha investido de uma soberania – ou assunto recheado com topping semelhante – capaz de desencadear tal ação. Quando se trata de mim, acontece precisamente o inverso: inativamente, a soleira da porta é transposta e a notícia é dada.

“Para desinteresse, desinteresse e meio. Não é, filho?”. José Mário Branco, caso fosse atraiçoado pela Ventura (= sorte, Fado) de me ter conhecido, incluía um novo parágrafo no texto que visa o FMI e, ao seu jeito, enformava-o de modo que fosse transparecida outra contenda que o povo português não venceu no pós-abril: o facto de não reunir a prontidão e a clarividência para expor uma notícia. Aqui, entram – à bruta – os mass media e todos os meios que exercem a difusão de conteúdo dirigido à larga maioria. Supostamente, a ilustração arremessada no primeiro parágrafo preenchia os trâmites deste conjunto que urgiam cumprir aquando do explodir informativo.

Ao que parece, o bichinho (álacre e sedento) de cor laranja é candidato independente à Câmara Municipal da Figueira da Foz. “Ao que parece” porque, na data do acontecimento, a monopolização e os focos não apontaram nessa direção. Para uma pequena parcela da longevidade – como eu, claro está – custa perceber e completar o puzzle que os canais de informação massiva tendem a impingir à população, como quando parte da elite policial coloca o pé sobre o pescoço do bandido, sufocando-o e obrigando-o a deglutir “alimentos” que não constam nas ementas até aí seguidas.

O lisboeta desdobra-se em tragédia. Não à la Dante, mas à la Camarate (morte de Francisco Sá-Carneiro, à altura líder do Partido Social Democrata). Pensa-se que a conversão ao Cavaquismo ou a desistência do mandato europeu e posterior dedicação à comunicação social estejam na origem do desastre, mas teorias estão à mercê de qualquer pé descalço. Seguiu-se o cargo de presidente do Sporting Clube de Portugal – sem dúvida, o momento mais alto da carreira de qualquer terráqueo – onde ainda pairam os fantasmas sobre a abolição de modalidades históricas do clube, como o hóquei em patins ou o basquetebol. A tragédia renova-se e o lodo circunscreve a paixão de milhões de adeptos. José Roquette avisou que o candidato seria alguém capaz de aglomerar…

“Ganhar” parece ser palavra de ordem mal o bichinho (álacre e sedento) de cor laranja abre o seu caderno de apontamentos diários. Em 1997, na Figueira da Foz, agregou quase 60% dos votos e, em 2001, perto de -32 milhões de euros para a elite vindoura. O concelho do centro do país estava mais do que visto e, por essa razão, foi ganhar para Lisboa. (Depois passo cá para completar com mais alguns registos).

Por fim, vê todo o esforço e trabalho recompensado e, a 17 de julho de 2004, é eleito primeiro-ministro, sucedendo a Durão Barroso, que ingressaria no projeto da Comissão Europeia. O resto – como se costuma dizer de um grande jogador na gíria futebolística – corresponde à história, marcada por regressos, desistências e pela fundação de um novo partido só para quem diz que a originalidade não lhe assiste.

Este vídeo vocabular está prestes a terminar, mas temos um bónus preparado para o final.

O jornal Público avançou que “Santana Lopes acusa PSD e PS de terem “pacto” contra sua candidatura na Figueira”.

Além de Camarate, o bichinho (álacre e sedento) de cor laranja antecedeu a José Sócrates na chefia do país, catástrofe única na vida de um português e que ainda está em dívida para com a entidade temível que o Estado representa.

Haja coragem! A impugnação da candidatura do bichinho (álacre e sedento) de cor laranja sinaliza um ato repleto de temeridade. Todas as ações executadas neste sentido abrem e vincam os caminhos da esperança.

Ninguém é capaz de enaltecer um assunto desta importância? É demasiada tragédia para não ser discutida dias a fio…

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