Paredes: Rafael Bessa fez estreia na Seleção de Hóquei em Patins e conquistou vitória com sabor a casa

Rafael Bessa, Hóquei em Patins

Quando um atleta entra em campo é, à partida, para vencer. Mas há vitórias que têm um “sabor” diferente, que o diga Rafael Bessa. O jovem natural de Sobreira, Paredes, fez a sua estreia oficial, há dias, na Seleção Nacional de Hóquei em Patins, que venceu o WSE Euro Men.

Esta competição trouxe o 22.º título europeu para Portugal e decorreu em Lordelo, uma das freguesias de Paredes que fica a apenas alguns quilómetros de distância de Sobreira. Foi aqui que Rafael Bessa cresceu e ganhou o gosto pelo hóquei, mais especificamente na Casa do Povo de Sobreira.

Vivia muito perto do pavilhão e a família “sempre teve ligações ao clube”, então, aos três anos começou a patinar. “Foi com alguma naturalidade que eu apareci neste meio. O meu pai nunca jogou nem a minha mãe, mas tive primos e tios que já jogavam na altura”, contou ao Jornal Referência. A partir daí, “foi sempre evoluindo, sem nunca parar, sem nunca desistir, foi sempre contínuo”.

Rafael Bessa passou pela AD Valongo, onde foi campeão nacional de sub-20 e sub-23, e chegou ao Sporting CP em 2023, onde permanece desde então e tem conquistado outros títulos que lhe têm dado muitas alegrias. Mas o avançado admite que o caminho também teve algumas dificuldades, que foram sendo “diferentes” em várias idades: “numa fase em que ainda estudava, quer no secundário, quer na faculdade, a maior dificuldade prendia-se sempre com isso, com o facto de ter de gerir o tempo entre os estudos e o hóquei. Era, às vezes, complicado”.

Contudo, o maior desafio é mental: “é complicado lidar com todas as provas altamente competitivas a que nos propomos, lidar com aquilo que é a questão de termos de apresentar resultados diariamente, praticamente”. “Mas cá estamos para lidar com ele diariamente”, afirmou.

Rafael Bessa, Hóquei em Patins
Foto: Leonel Castro

“Dificilmente vou ter um sentimento tão parecido com aquele que tive quando marquei o último golo”

E por falar em desafios e conquistas, há meses, Rafael Bessa recebeu a notícia de que tinha sido convocado para a Seleção Nacional e teve logo uma certeza: “já sabia que ia ser uma experiência muito feliz, independentemente daquele que fosse o resultado, por tudo aquilo que significava, por ser a primeira vez a representar a Seleção, ainda por cima, poder jogar muito perto de casa”.

O que é certo é que Portugal venceu e o jogador de 24 anos confessou que esse facto elevou “toda a experiência para outra dimensão” e é, “claramente, uma memória para o resto da vida”. “É um sentimento de felicidade e de orgulho que é realmente muito difícil de descrever e passei uma semana bastante feliz, com vários momentos ainda a passar-me diariamente pela cabeça”, revelou.

Rafael Bessa abriu o marcador do jogo da final, contra França, no WSE Euro Men, e fechou também, aos 50 minutos. “Eu acho que em toda a minha carreira, certamente, nunca tive e acho que dificilmente vou ter um sentimento tão parecido com aquele que tive quando marquei o último golo, o golo que dá o 4-1 e o momento em que percebo eu e praticamente todo o pavilhão que vamos ser campeões europeus”, descreveu.

“Foi realmente uma sensação completamente louca! No fundo, nem soube bem como festejar, tentei olhar para os meus amigos, para a minha família e a verdade é que foi realmente especial! Ou seja, já é por si só marcar golos, como qualquer jogador; nestas condições, ainda se torna mais especial”, acrescentou.

WSE Euro Men, Hóquei em Patins, Paredes
Foto: Câmara Municipal de Paredes

Jogar uma final “em casa” também significa reconhecer vários rostos e foi isso mesmo que aconteceu a Rafael Bessa, que acredita que ainda ficou mais motivado: “acho que nunca tinha tido tanta gente conhecida nas bancadas a assistir a um jogo, porque era realmente muito perto de casa. (…) A verdade é que é óbvio que nos ajuda sempre, a nós como jogadores, ter toda essa gente na bancada”.

“Há sempre ali um ou dois segundos em que podemos olhar a procurá-los e em momentos às vezes mais difíceis, como se passou na fase de grupos, por exemplo, ter a oportunidade de olhar para eles e ter ali um ou dois segundos de força, de às vezes só até partilhar um sorriso… a verdade é que é muito especial”, disse ainda.

No final, como acontece em todas as vitórias, houve festejos, mas para Rafael Bessa não duraram muitos dias, uma vez que teve de voltar quase logo para os treinos com a sua equipa, em Lisboa. No entanto, o destino ditou que viesse estagiar com os colegas para o Norte do país, bem perto da sua terra natal e, no final da semana passada, acabou por voltar a Paredes para receber um voto de louvor por parte da câmara municipal e ainda fazer uma visita especial, que “foi um bocadinho surpresa”.

Rafael Bessa regressou à escola onde estudou do quinto ao sétimo ano, numa “perspetiva bastante diferente daquela a que estava habituado” e a “200 metros” da casa onde morou a maior parte da sua vida. O jovem deu autógrafos, tirou fotografias, encontrou antigos funcionários e professores e ainda alguns alunos que também jogam hóquei em patins: “foi claramente especial poder reconhecer ainda algumas pessoas que lá trabalhavam, também sentir o carinho por parte das crianças, dos professores, dos funcionários”.

“É realmente um sentimento gratificante! Eu nunca – obviamente, como qualquer pessoa – jogo por estas coisas. O meu objetivo final nunca é este, mas a verdade é que nos sentimos bastante gratificados”, partilhou Rafael Bessa, referindo que poder ser, “de certa forma, uma referência” e um exemplo é “muito gratificante”. “Que surjam muitos mais miúdos ali na Sobreira a jogar hóquei e a atingir altos níveis”, desejou, sublinhando que este é “um desporto muito bonito” e que “dá muitas alegrias”.

Como incentivo, destaca uma mensagem para “nunca desistirem” e continuarem “a lutar pelos seus sonhos”: “a estrada vai ser muito longa, vai ser desafiante, mas com a dedicação certa e ambição certa tudo será possível”.

Para o futuro, Rafael Bessa ambiciona “fazer o melhor possível” no clube em que está e “continuar a crescer”, de forma a “melhorar ainda mais” todas as suas capacidades técnicas, mentais e táticas, “nunca forçando em demasia nada e sempre encarando qualquer desafio e qualquer exigência com naturalidade”.

Foto: Câmara Municipal de Paredes

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

error: Este conteúdo está protegido!!!