POR OUTRAS PALAVRAS: Incerteza

Por outras palavras, Incerteza

Nos últimos tempos temos sido confrontados com muitas situações imprevisíveis: conflitos internacionais, cancelamentos de voos, alterações de planos e notícias que mudam de um dia para o outro. Perante este cenário, é natural que muitas pessoas sintam ansiedade ou preocupação. Afinal, o nosso cérebro gosta de previsibilidade e segurança.

A incerteza pode gerar uma sensação de perda de controlo. Quando não sabemos o que vai acontecer, a nossa mente tende a imaginar cenários negativos como forma de tentar preparar-se para o pior. No entanto, este processo pode aumentar o stress e a sensação de impotência.

Uma das principais ferramentas psicológicas para lidar com a incerteza é a tolerância à incerteza, que se refere à capacidade de aceitar situações ambíguas sem recorrer a respostas automáticas de ansiedade ou evitação. Pessoas com baixa tolerância tendem a antecipar cenários negativos e a sentir-se paralisadas, enquanto quem desenvolve esta capacidade consegue tomar decisões mesmo sem ter todas as informações. Técnicas de regulação emocional, como a atenção plena (mindfulness) e a reestruturação cognitiva, ajudam a identificar pensamentos catastróficos e a substituí-los por interpretações mais adaptativas.

Distinguir o que podemos controlar do que não depende de nós ajuda a reduzir o stress percebido, focando a energia em ações concretas e hábitos saudáveis. Não conseguimos mudar acontecimentos globais, atrasos ou decisões de outras pessoas, mas podemos escolher como reagimos, como organizar o nosso dia, cuidamos da saúde física e emocional ou mantemos contacto com quem nos apoia. Focar no que podemos influenciar traz uma sensação de estabilidade e confiança.

Estratégias simples para lidar com imprevistos:

  1. Praticar a tolerância à incerteza – Aceitar que não ter todas as respostas faz parte da vida. Em vez de lutar contra o desconhecido, observe os pensamentos ansiosos sem se identificar com eles.
  2. Reformular cenários mentais – Quando antecipamos o pior, podemos treinar a mente a criar alternativas realistas e equilibradas. Pergunte-se: “Qual é a probabilidade real de isto acontecer? Há outras soluções possíveis?”
  3. Flexibilizar hábitos e rotinas – Manter algumas rotinas é útil, mas a rigidez aumenta o stress quando tudo muda. Teste pequenas adaptações e veja que é possível lidar com imprevistos sem perder o equilíbrio.
  4. Diário de controlo e gratidão – Anotar o que conseguimos gerir no dia e os pequenos sucessos ajuda a perceber onde temos poder de ação. Ao mesmo tempo, registar coisas positivas, mesmo pequenas, fortalece a resiliência emocional.
  5. Exposição gradual ao inesperado – Introduza pequenas situações imprevisíveis no dia a dia (como mudar a ordem de tarefas ou experimentar algo novo). Com o tempo, isto reduz a ansiedade associada a mudanças maiores.

Por fim, é importante lembrar que a incerteza faz parte da vida. Embora seja desconfortável, também é um espaço onde podem surgir novas oportunidades, aprendizagens e formas de adaptação. Desenvolver flexibilidade psicológica, capacidade de ajustar pensamentos e comportamentos perante mudanças é uma competência essencial para enfrentar tempos instáveis. Em períodos de incerteza, pequenos gestos do dia a dia podem fazer a diferença: manter rotinas, procurar apoio social e focar no presente são formas simples de cuidar da nossa saúde mental.

Imagem: DR/Jornal Referência

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