O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) juntamente com o Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias (NCIRD) dos EUA publicaram uma série de diferenças entre a gripe e a Covid-19.
A gripe (Influenza) e a Covid-19 (SARS-CoV-2) são ambas doenças respiratórias contagiosas e têm características em comum, mas existem algumas diferenças, desde logo, porque são causadas por diferentes vírus.
Sinais e sintomas
Tanto a Covid-19 quanto a gripe podem ter vários graus de sintomas, desde nenhum sintoma (assintomático) até sintomas graves. Os sintomas comuns entre as duas doenças incluem:
- Febre ou sensação de febre / calafrios
- Tosse
- Falta de ar ou dificuldade para respirar
- Fadiga (cansaço)
- Dor de garganta
- Nariz a escorrer ou entupido
- Dores musculares ou dores no corpo
- Dor de cabeça
- Algumas pessoas podem ter vómitos e diarreia (embora isso seja mais comum em crianças do que em adultos)
Os vírus da gripe podem causar doenças leves a graves, incluindo os sintomas comuns acima. Já a Covid-19 parece causar doenças mais graves em algumas pessoas. Outros sintomas de Covid-19, diferentes da gripe, podem incluir alteração ou perda do paladar ou cheiro.
Em ambos os casos pode passar um ou mais dias entre quando a pessoa é infetada e o início dos sintomas da doença. No entanto, se uma pessoa tiver Covid-19, pode levar mais tempo para desenvolver os sintomas do que se tivesse gripe, geralmente, cinco dias após a infeção (mas os sintomas podem aparecer entre dois e 14 dias depois da infeção e o intervalo de tempo pode variar). Normalmente, uma pessoa desenvolve sintomas de gripe entre um a quatro dias após a infeção.
Transmissão
Tanto no caso da Covid-19 quanto para a gripe é possível transmitir o vírus por, pelo menos, um dia antes de apresentar quaisquer sintomas.
Contudo, se uma pessoa tem Covid-19, pode ser contagiosa por um período mais longo do que se tivesse gripe, mas esse período de tempo exato ainda está sob investigação. É possível que as pessoas espalhem o vírus por cerca de dois dias antes de sentirem os sintomas e permanecerem contagiosas por, pelo menos, 10 dias após o aparecimento dos primeiros sintomas, mas no caso dos assintomáticos ou de os sintomas desaparecerem, é possível permanecer contagioso por, pelo menos, 10 dias após o teste positivo para a Covid-19.
A maioria das pessoas com gripe é contagiosa por cerca de um dia antes de apresentar os sintomas. As crianças mais velhas e adultos com gripe parecem ser mais contagiosos durante os primeiros três/quatro dias da sua doença, mas muitos permanecem contagiosos por cerca de sete dias. Os bebés e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido podem ser contagiosos por mais tempo.
Tanto a Covid-19 como a gripe podem transmitir-se de pessoa para pessoa, desde que em contacto próximo, principalmente através de gotículas produzidas quando as pessoas com a doença (Covid-19 ou gripe) tossem, espirram ou falam, já que estas podem cair na boca ou no nariz de pessoas que estejam próximas ou até ser inaladas para os pulmões. Pode ainda ser possível que uma pessoa seja infetada através de contacto físico (por exemplo, apertando as mãos) ou tocando numa superfície ou objeto que contenha o vírus e, em seguida, tocando na sua própria boca, nariz ou olhos. Tanto o vírus da gripe como o que causa a Covid-19 podem ser transmitidos mesmo antes que as pessoas comecem a apresentar sintomas.
Contudo, o CDC explica que a Covid-19 é mais contagiosa entre certas populações e grupos de idade do que a gripe e apresenta mais eventos de “supertransmissões” do que gripe, o que “significa que o vírus que causa a Covid-19 pode espalhar-se de forma rápida e fácil para muitas pessoas e resultar numa disseminação contínua entre as pessoas com o passar do tempo”.
Complicações
Tanto a Covid-19 como a gripe podem resultar em doenças graves e complicações. Os grupos de maior risco incluem:
- Adultos mais velhos;
- Pessoas com certas condições médicas subjacentes;
- Grávidas;
O risco de complicações para crianças saudáveis é maior em caso de gripe do que em comparação com a Covid-19. No entanto, os bebés e crianças com condições médicas subjacentes apresentam um risco aumentado em caso de gripe e de Covid-19. As crianças em idade escolar infetadas com Covid-19 estão em maior risco de Síndrome Inflamatória Multissistémica Pediátrica (MIS-C ou SIMP), “uma complicação rara, mas grave, de Covid-19”. Entre as complicações que podem resultar da gripe assim como da Covid-19 são:
- Pneumonia;
- Paragem respiratória;
- Síndrome da dificuldade respiratória aguda;
- Sépsis;
- Lesão cardíaca (por exemplo, ataques cardíacos e derrame);
- Insuficiência de múltiplos órgãos (insuficiência respiratória, insuficiência renal, etc.);
- Agravamento de condições médicas crónicas (envolvendo os pulmões, o coração, o sistema nervoso ou os diabetes);
- Inflamação do coração, cérebro ou tecidos musculares;
- Infeções bacterianas secundárias (ou seja, infeções que ocorrem em pessoas que já foram infetadas com gripe ou Covid-19).
No caso da gripe, a maioria das pessoas recupera em alguns dias, mas outras desenvolverão complicações, algumas delas mencionadas acima. Já no caso da Covid-19, as complicações adicionais podem incluir coágulos sanguíneos e a Síndrome Inflamatória Multissistémica Pediátrica.
Tratamentos Aprovados
As pessoas com alto risco de complicações ou que foram hospitalizadas por Covid-19 ou gripe devem receber cuidados médicos de suporte para ajudar a aliviar os sintomas e complicações. No caso da gripe, existem os medicamentos antivirais, mas para a Covid-19 ainda estão a ser atualizadas opções de tratamento – atualmente, está a ser explorado o uso do agente antiviral Remdisivir.
Vacina
Desde o dia 19 de outubro que a vacina da gripe está disponível para mais grupos populacionais, nomeadamente para pessoas com 65 ou mais anos e pessoas com doenças crónicas.
A campanha de vacinação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), sob o tema “Vacine-se por si, Vacine-se por todos”, arrancou a 28 de setembro e dura até 6 de dezembro, com uma primeira fase que incluiu a disponibilização de 350 mil doses às faixas da população consideradas prioritárias, como residentes em lares de idosos, grávidas e profissionais de saúde e do setor social que prestam cuidados.
Além das vacinas gratuitas para as pessoas incluídas nos grupos de risco, haverá vacinas à venda nas farmácias que podem ser compradas com receita médica e são comparticipadas. No total, foram compradas este ano, pelo SNS, mais de dois milhões de vacinas da gripe a duas empresas diferentes, por concurso público, sendo que todas as vacinas são iguais, informou o SNS.
A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, apelou, de acordo com um comunicado do SNS, a todas as pessoas que tiverem indicação médica para que se vacinem, salientando que, este ano, com a pandemia, é “ainda mais importante que o façam”. “Convém não ter outras infeções respiratórias que se possam confundir com Covid-19 e que obriguem a fazer um diagnóstico para ver se as pessoas têm covid ou têm gripe”, referiu.
Para a Covid-19 não existe ainda vacina para a prevenir, apesar de estarem a decorrer pesquisas sobre o assunto.
