OPINIÃO: Janeiro já vai longo

Márcio Luís Lima, 21 anos, Estudante de mestrado em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Já passaram cinco meses desde o início de 2020 e ainda vamos em Janeiro. O mês vai longo. Perde-se a conta aos dias, na semana e no calendário. Os dias ficam mais cinzentos e apesar da crescente diurna, a noite é extensa. Ainda assim monótona. Tudo o que não se resolveu no passado ano, soluciona-se (ou tenta-se) agora neste primeiro mês.

Desde que o ano começou já tivemos indícios de uma terceira guerra mundial, um avião abatido por engano que resultou na morte de 176 pessoas, um vírus a espalhar-se em escala mundial, uma das maiores lendas do desporto faleceu, uma mulher é espancada porque a filha não tem o passe, (dando aso a que as redes socais se dividissem na justiça social, numa busca bacoca da razão), a nova esquerda portuguesa desfaz-se lentamente, a nova direita tenta revitalizar-se de sangue novo com ideias que nem sangue têm… enfim, Janeiro vai longo, isso é certo.

Estamos a tentar perceber como começar uma coisa nova, e todos os anos temos esse problema. E nem falo no global, refiro-me mesmo ao quotidiano simples, à constante desmotivação a que as ruas e os cafés apela. É como se tentássemos colocar o comboio de volta nas linhas.

Neste Janeiro já tivemos duas estações, e findámos a entrar na terceira. Felizmente Fevereiro é um mês curto e tem o carnaval, sempre dá para relaxar novamente das responsabilidades — que seria de nós com mais trinta e um dias de pressão? — Agora as pessoas voltam a abrir os casacos e a dar corda aos sapatos. Os remendos cessam e usam-se roupas novas, prontas a serem esburacadas novamente, nos restantes onze meses do ano.

A partir de Agosto repensam-se os remendos, no próximo Janeiro voltamos a andar nus, com enxaquecas e fartos do novo ano… e é assim que ele deixa de ser novo — torna-se somente ano.

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

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